31/01/12 - SINA
Leilão reúne grupos de quatro continentes
Por Fábio Pupo, do Valor Econômico
Nos últimos anos, poucos países tiveram um crescimento tão acentuado no setor da aviação civil quanto o Brasil. Somada à urgência dos eventos esportivos de 2014 e 2016, a forte demanda levou o governo a realizar as concessões de aeroportos e, assim, despertou em peso o interesse da iniciativa privada a um mercado com receita líquida de R$ 2,6 bilhões anualmente e ritmo de expansão três vezes superior ao da média mundial. Daqui a dois dias, grupos empresariais de quatro continentes entregam suas ofertas ao governo na tentativa de abocanhar parte dessas oportunidades. O resultado só sai depois, no dia 6 de fevereiro.
Um dos aeroportos que serão privatizados, o de Guarulhos (na região metropolitana de São Paulo) movimenta, sozinho, 26,8 milhões de passageiros ao ano - quase o mesmo que os sete aeroportos administrados por uma das interessadas em sua concessão, a ANA Aeroportos de Portugal. Também movimenta mais que o aeroporto de Zurique, administrado pela Flughafen Zurich AG - outra concorrente. Em 2010, o crescimento, o crescimento da aviação civil no Brasil foi de 21,3% em relação ao ano anterior, muito acima do 6,6% de crescimento mundial.
Os números brasileiros chamaram a atenção das empresas estrangeiras antes mesmo de o governo federal exigir a participação delas nos consórcios participantes (o edital obriga as sociedades a terem pelo menos 10% das ações sob propriedade de um operador de aeroporto com movimentação superior a cinco milhões de passageiros por ano em pelo menos um dos últimos 10 anos, e essa experiência só existe entre as empresas de fora). Entre as nove sociedades já confirmadas, segundo apurou o Valor, pelo menos quatro tinham firmado memorandos de entendimento com companhias de fora para estudar os editais antes da exigência.
Embora haja grande interesse, algumas empresas brasileiras reivindicam mais tempo para fechar as sociedades. "Serão só 45 dias entre a divulgação do edital e a entrega de propostas. Essas negociações demoram, trata-se de um casamento, e com comunhão de bens", diz Claudia Bonelli, advogada do escritório TozziniFreire.
Hoje, os interessados nos terminais brasileiros podem ser divididos em cinco grupos - representantes europeus (como Reino Unido, Alemanha, Suíça, Portugal e Espanha), asiáticos (Cingapura), pelo menos uma americana e representantes de regiões em desenvolvimento (da África do Sul e da Argentina). A maioria evita dar detalhes da composição dos consórcios, do apetite e até mesmo da efetiva participação no leilão - embora admitam estudar os projetos brasileiros.
Um dos primeiros a anunciar parceria local foi o grupo alemão Fraport, que participa direta ou indiretamente da gestão de 13 aeroportos pelo mundo. Há quatro meses, fechou parceria com o grupo especializado em concessões de estradas EcoRodovias. Por contar com um dos mais lucrativos operadores internacionais (€ 271 milhões anuais), e ainda ter como parceiro um grupo brasileiro com baixo endividamento e caixa forte (R$ 750 milhões disponíveis), a sociedade composta por 50% de ações de cada grupo é considerada hoje uma das mais fortes para o leilão.
Caso abocanhe a concessão, Guarulhos seria o terceiro aeroporto mais movimentado no portfólio da Fraport, depois de Frankfurt, na Alemanha; e de Nova Déli, na Índia. Felix von Berg, diretor de projetos da Fraport, diz que a presença da Infraero na sociedade que irá gerir os aeroportos não chega a ser uma novidade nas operações do grupo. "Na Índia, nossa sociedade que administra o aeroporto tem 23% de participação de um agente governamental. Funciona", diz.
Entre os europeus, também promete entrar com apetite na disputa a BAA - descendente da extinta British Airports Authority, empresa privatizada em 1987 pelo governo britânico. Com lucro líquido de mais de US$ 800 milhões anualmente, firmou sociedade com o banco BTG Pactual e com o grupo brasileiro Queiroz Galvão. Desde 2006, a empresa é controlada pela espanhola especializada em infraestrutura Ferrovial - que a comprou por US$ 19 bilhões.
Também já está confirmada a presença da CCR (dos grupos Andrade Gutierrez e Camargo Corrêa) com a parceira de longa data Flughafen Zurich AG, operadora do aeroporto de Zurique, na Suíça. "A empresa [CCR] está plenamente preparada para apresentar suas propostas", informou o grupo por meio de nota. A Zurich assessora os acionistas Camargo e Andrade no projeto de um terceiro aeroporto em São Paulo. Fontes do setor acreditam que a Aéroports de Paris (ADP) também vai participar do processo, em parceria com a Carioca Engenharia.
Oriundos de regiões hoje turbulentas da Europa também podem marcar presença na disputa. Particularmente curioso é o interesse da espanhola Aena e da portuguesa ANA Aeroportos de Portugal no Brasil, visto que as duas tiveram suas privatizações cogitadas pelos governos de cada país. Empresas brasileiras, inclusive (como a CCR), têm interesse nas europeias.
O governo espanhol pretendia fazer a venda de 49% da estatal espanhola, que geraria € 8 milhões para os cofres públicos. A privatização, no entanto, foi suspensa por conta da crise na Europa e da consequente subvalorização dos ativos. Com resultado líquido negativo, a Aena estuda os editais brasileiros em parceria com a OHL Brasil.
Já a privatização da portuguesa ANA avança. Representantes do governo disseram neste mês que as regras para a disputa serão lançadas ainda no primeiro semestre. A companhia ibérica administra 27,6 milhões passageiros anualmente e pretende disputar os terminais brasileiros em parceria com as brasileiras ATP, CVS e Encalso e as argentinas Cartellone e CCI. "A parceria está confirmada, embora possam entrar mais parceiros. Estamos estudando", diz Luciano Amadio Filho, presidente da CVS. Mas os resultados não tão expressivos da empresa portuguesa podem enfraquecer o consórcio na disputa. Seu resultado líquido, € 55 milhões, é praticamente um quinto do da Fraport.
A disputa contará com operadores internacionais de primeiro nível. A Changi, de Cingapura, administra o melhor aeroporto do mundo segundo a organização independente Skytrax. As propostas para os terminais brasileiros estão sendo estudadas em sociedade com a Odebrecht Transport.
A brasileira Fidens Engenharia firmou parceria com a operadora americana ADC & HAS, sócia da Andrade Gutierrez em outros projetos e que chegou a conversar com a Odebrecht.
Não só europeus e americanos estão na disputa. Representantes de países em desenvolvimento também prometem marcar presença no leilão. Executivos do grupo indiano especializado em infraestrutura GMR (sigla para Grandhi Mallikarjuna Rao, fundador) levantavam, até há poucos dias, possíveis sociedades com empresas brasileiras. "Estamos em conversas. Não fechamos parcerias, mas isso pode acontecer até a véspera da entrega das propostas", diz Kamesh Rao, diretor operacional da GMR. Algumas empresas enviaram questionamentos à Anac, como a Airports Company South Africa (ACSA), e também são vistas como interessadas. Causa suspense no mercado o apetite do argentino Corporación América. Concessionário de 33 aeroportos na Argentina, estuda os projetos brasileiros em parceria com o brasileiro Engevix. A sociedade foi vencedora do leilão do Aeroporto de São Gonçalo do Amarante (no RN) - no ano passado, com ágio de 228,8% sobre o preço mínimo.
31/01/12 - SINA
Ociosidade e déficit marcam microaeroportos privados

Por Rodrigo Pedroso e Samantha Maia, do Valor Econômico
A operação privada de aeroportos no Brasil está restrita, hoje, a pequenos negócios, muito deles deficitários. De seis aeroportos operados por grupos privados no país e consultados pelo Valor - no total são 12 segundo a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) - quatro (Cabo Frio, Porto Seguro, Lençóis e Bonito) operam bem abaixo da capacidade total e três (Juiz de Fora, Lençóis e Bonito) arrecadam menos do que gastam. Mesmo assim, a iniciativa federal de conceder o controle de grandes aeroportos acendeu o interesse dessas empresas, que veem na sua experiência uma oportunidade para crescer no mercado.
Segundo a Anac, as concessões de aeroportos começaram nos anos 90, mas foram intensificadas na década passada. Todas foram feitas por Estados e operam voos regionais, comerciais e de carga.
O primeiro aeroporto operado pelo grupo Sinart foi o de Juiz de Fora (MG), em 1992. De lá para cá, não houve alteração significativa no cenário, segundo o presidente do grupo, Henrique Pedreira. Atualmente, o local recebe seis voos comerciais por dia e opera perto da capacidade, mas mesmo assim é deficitário. A aposta é de que o crescimento do setor da aviação civil no país nos próximos anos possa fazer com que o Aeródromo Francisco de Assis, como é chamado, termine 2012 no azul. "Esperamos aumentar a capacidade e dobrar o número de voos."
O aeroporto de Porto Seguro, na Bahia, está nas mãos da Sinart desde 2000 e apresenta um balanço melhor, com 12 voos diários e uma média de 1,2 mil passageiros por dia. No entanto, com o investimento de R$ 10 milhões feito há um ano e meio, o aeródromo tem capacidade para receber um fluxo de aeronaves três vezes maior. Mesmo assim, as receitas do movimento atual servem para que o aeroporto não fique no vermelho. "O lucro é baixo. Por isso estamos ampliando", explica Pedreira.
O pior caso para a Sinart é o do aeroporto de Lençóis, também na Bahia. Com apenas dois voos semanais e 150 passageiros no período, o aeródromo pode receber até 2,5 mil pessoas por semana. "Ele é muito ocioso. É o mais deficitário do nosso grupo. Estamos conversando com uma empresa aérea para ver se aumenta o movimento." Ele foi construído em 1998 pelo governo do Estado como contrapartida pela implantação pela Sinart de um hotel cinco estrelas na região. "Melhorando o turismo, o aeroporto começa a render", afirma o presidente do grupo.
A Sinart deve apresentar uma proposta com outros investidores pela concessão de um dos três aeroportos - Viracopos (SP), Guarulhos (SP) e Brasília (DF) - que vão a leilão dia 6. "É um investimento de grande porte. Estamos fazendo estudos junto com outros parceiros e deveremos participar", diz, sem informar quem seriam os parceiros.
Em Cabo Frio, na região dos Lagos no Rio, o aeroporto operado pela Costa do Sol é movido a petróleo. O transporte de cargas com destino às bacias de Campos (RJ) e de Santos (SP) representa 66% do faturamento do aeroporto, que em 2011 foi de R$ 44 milhões. Puxado pelo setor de cargas, o aeroporto se tornou superavitário em 2006.
No ano passado, foram movimentadas nele 21 mil toneladas de cargas, o dobro de 2010. Voos regulares de carga ligam o terminal aeroportuário a Miami (EUA), além de voos fretados.
Com o crescimento da exploração de petróleo, também ganhou importância a movimentação de trabalhadores via helicóptero. Cerca de 300 passageiros circularam diariamente nesse trajeto em 2011, mais que o dobro da média de 125 pessoas por dia em 2010.
"Estamos ampliando a estrutura para atender esse negócio, um investimento de R$ 25 milhões. Vamos aumentar o pátio para pouso e melhorar os procedimentos de embarque e desembarque, já que eles têm regras de segurança específicas para controlar o que entra e sai das plataformas", diz Francisco Pinto, presidente do conselho de administração da Costa do Sol. A área de pátio para helicópteros passará de 15 mil metros quadrados (m2) para 77 mil m2 neste ano.
Para o turismo, aposta da Costa do Sol em 2001, quando ganhou a concessão do aeroporto por 22 anos, há poucos voos em operação. São nove voos regulares por semana (seis da Azul e três da Trip), com destino a Córdoba e Buenos Aires, na Argentina, Santiago, no Chile, Belo Horizonte e Campinas. Na época de alta temporada (de novembro a abril), mais cinco voos fretados chegam de outros destinos ao aeroporto por semana.
"As operadoras mudam de temporada para temporada", diz Pinto. Varig, Pluna, Austral, Gol e TAM são algumas das empresas aéreas que já passaram por lá. A TAM operou por menos de um ano, de julho de 2010 a maio de 2011, e a Gol ficou por lá de janeiro de 2008 a março de 2009. Para Pinto, o que falta é uma estrutura mais robusta de turismo na região, que sustente um movimento maior de visitantes. "É fácil para as empresas aéreas conseguir autorização para operar aqui. Temos estrutura sobrando."
Mesmo assim, o movimento de passageiros teve um crescimento importante em 2011, quando circularam 140 mil pessoas, frente a 89 mil em 2010.
O controle da concessionária foi comprado em outubro do ano passado pelo grupo Libra, um dos maiores operadores logísticos do Brasil. A compra de 60% das ações da Costa do Sol marcou a entrada do grupo no setor aeroportuário, de olho nas oportunidades de concessões dos grandes aeroportos.
Segundo o presidente do Libra, Marcelo Araújo, a aquisição considerou o potencial de crescimento do aeroporto na área de petróleo e gás, o turismo da região e a entrada no setor de aeroportos regionais. A expectativa do grupo é que o movimento do aeroporto de Cabo Frio cresça 35% em 2012. Já foram investidos nele R$ 35 milhões. Sobre o leilão dos aeroportos de Guarulhos, Viracopos e Brasília, o executivo informou apenas que estudou os projetos.
A Dix Empreendimentos opera os aeroportos de Bonito (MS) e de Fernando de Noronha (PE), mas não planeja participar do primeiro leilão federal. Para o diretor Frederico Siqueira, tarifas baixas causam distorção na operação de aeroportos. "Não tivemos que fazer investimento em Fernando de Noronha, mas mesmo assim não há um retorno satisfatório. A questão é que como a concessão de aeroportos é um modelo novo no país ainda, há algumas distorções, como as tarifas de pouso, que são muito baixas, quase irrisórias. Para Guarulhos, que é de grande porte, compensa, mas para a aviação regional, não", diz.
O aeródromo de Bonito é deficitário e com baixa utilização. Só começou a operar em 2009, três anos após a concessão, por causa da construção de um terminal de embarque e da modernização de outras estruturas. O custo total do investimento foi de R$ 5 milhões, que ainda não foram recuperados, de acordo com Siqueira.
Com capacidade para 2,5 mil passageiros por semana, o aeroporto recebe apenas 125 em média com seus três voos comerciais no período. Parte maior da receita é feita com os cinco voos cargueiros e o posto da Petrobras no local. "Muitos aviões vem só para abastecer", afirma o diretor. "A expectativa é que, com o aumento do turismo na região, possamos ser superavitários e ter o retorno do investimento em até sete anos."
O aeroporto de Fernando de Noronha rende mais frutos, com 23 voos comerciais e quatro executivos por semana. Com isso, ele opera dentro de sua capacidade e consegue dar lucro para a empresa, que o controla desde outubro, depois de receber a concessão de outro grupo.
26/01/12 - SINA
Gestão muda e melhora operação em Guarulhos, diz ministro
(do Valor Econômico com redação SINA)
A capacidade do aeroporto de Guarulhos, sem contar o terminal remoto de passageiros recém-construído em um antigo hangar da Vasp, pode aumentar oficialmente 28% devido aos ganhos de eficiência obtidos no segundo semestre. Desconsiderando o novo terminal, a capacidade do maior aeroporto do país é de 26 milhões de passageiros por ano, segundo a Infraero. Um relatório concluído nos últimos dias pela Secretaria de Aviação Civil mostra aumento significativo do fluxo com medidas de gestão.
A secretaria auferiu, com o auxílio de uma consultoria internacional, a movimentação de passageiros antes e depois das medidas operacionais. Em menos de seis meses, foi possível ver resultados importantes, mas não surpreendentes, na avaliação do ministro Wagner Bittencourt. "Colocamos todo mundo para conversar e planejar em conjunto", afirmou Bittencourt, em referência à criação das autoridades aeroportuárias, em 12 terminais.
Um dos principais ganhos de eficiência foi percebido, segundo o ministro, na questão aduaneira. O fluxo de passageiros que transitam pela área da Receita Federal em cada um dos terminais de Guarulhos quase dobrou, aumentando de 690 para 1.331 por hora. A medição já capta os efeitos da dispensa da declaração de bagagem acompanhada, desde 1º de janeiro, para os turistas brasileiros que estiverem retornando de viagens internacionais sem ultrapassar a cota de isenção. Uma reformulação geral do layout, com o aumento de uma para quatro entradas a quem não tem "nada a declarar", ajudou.
De acordo com o ministro, outro ganho importante ocorreu na Polícia Federal, onde o processamento da emigração - fluxo de passageiros que saem do país - subiu de 983 para 1.405 por hora. As medidas tomadas foram simples. Antes, os guichês demoravam para receber passageiros até que eles identificassem sua disponibilidade e caminhassem em sua direção. Para evitar o problema, "agentes de pré-fila" foram colocados no local para alertar os passageiros. Houve reforço da comunicação visual e a tripulação passou a ser atendida prioritariamente em guichês frontais, conforme disse Bittencourt.
Apesar da percepção de tumulto nos aeroportos durante as viagens de fim de ano, o ministro comemora os resultados verificados em dezembro. Segundo ele, o índice "aceitável" é ter 10% dos voos atrasando mais de 30 minutos, com essa proporção crescendo para cerca de 20% nos dias de pico do fim de ano. Em dezembro de 2011, o índice efetivamente registrado foi de 13% de atrasos, afirmou Bittencourt. No ano anterior, 22% dos voos haviam tido atrasos. Para ele, o desempenho foi positivo. "Conseguimos reduzir os atrasos, embora tivéssemos 8% a mais de voos e um número muito maior de passageiros nos aeroportos", observou.
Outro lado - O ministro Wagner Bittencour comemora a melhoria do fluxo de passageioros nos nossos aeroportos com razão! Porém os números melhoraram nas filas administradas pelo Estado por que aquelas administradas pelas empresas aéreas ainda são um fiasco. Confira:
Fluxo de passageiros/hora
Antes das medidas - 907
Depois das medidas - 1.219
Melhoria - 34,39%
Raio X e detector de metais
Antes das medidas - 1.302 passageiros/hora
Depois das medidas - 1.989 passageiros/hora
Melhoria - 52,76%
Emigração e Imigração
Antes das medidas - 983 passageiros/hora
Depois das medidas - 1.405 passageiros/hora
Melhoria - 42,92%
Receita Federal
Antes das medidas - 690 passageiros/hora
Depois das medidas - 1.331 passageiros/hora
Melhoria - 92,89%
Check-in companhias aéreas
Antes das medidas - 216 passageiros/hora
Depois das medidas - 241 passageiros/hora
Melhoria - 11,57%
26/01/12 - SINA
Governo espera ágio "grande" em leilão
(do Valor Econômico)
O ministro-chefe da Secretaria de Aviação Civil, Wagner Bittencourt, descarta adiar o leilão dos aeroportos previsto para o dia 6 de fevereiro e espera uma disputa "bastante acirrada". Segundo ele, os ajustes discutidos com o Tribunal de Contas da União (TCU) são "pequenos" e não exigem recontagem de prazos, se houver a necessidade de mudar aspectos do edital. O tribunal analisará o documento em reunião plenária do dia 1º. "Não há nenhuma chance de adiarmos o leilão. E nem do TCU, até agora, tivemos nenhuma sinalização nesse sentido", disse o ministro.
Bittencourt também afastou os rumores de que o governo ainda cogitaria reduzir a participação da Infraero - de 49% nas sociedades de propósito específico formadas para administrar os aeroportos. "Essa é uma premissa básica da nossa modelagem", ressaltou. De acordo com ele, a obrigatoriedade de associação com a estatal não é motivo de discórdia na iniciativa privada. "Há empresas interessadas nos aeroportos, como grandes operadoras estrangeiras, que não querem nenhum outro sócio, só a Infraero."
O ministro aposta em um ágio "grande", mas não se arrisca com um percentual. "É claro que vai ter [ágio], e acho que grande, mas eu parei de tentar acertar", disse Bittencourt, lembrando palpites que falharam em outras concessões, quando era diretor de infraestrutura do BNDES. Ele ainda mandou um recado às empresas que vem insistindo em pedir adiamento do leilão. "Se nós entrarmos nesse tipo de conversa, adiamos pelo resto da vida."
O lance inicial é de R$ 3,424 bilhões para Guarulhos, de R$ 1,471 bilhão para Viracopos e de R$ 582 milhões para Brasília. Os recursos, no entanto, não entram para o Fundo Nacional de Aviação Civil (Fnac) de uma vez. Eles serão pagos em parcelas anuais, ao longo das concessões - que duram entre 20 e 30 anos -, diretamente para o fundo da aviação. Com isso, o governo está fazendo uma espécie de blindagem contra eventual contingenciamento do Tesouro, ao contrário dos fundos criados a partir da privatização das operadoras de telefonia.
A Secretaria de Aviação Civil criou novos incentivos para os investimentos das futuras concessionárias. Uma portaria publicada ontem no "Diário Oficial" da União disciplina os requisitos mínimos para a aprovação de projetos de investimento em obras de infraestrutura aeroportuária. A medida vale também para o aeroporto de São Gonçalo do Amarante, que está sendo construído em Natal (RN).
De acordo com a regra, as empresas formadas para explorar os aeroportos concedidos poderão emitir debêntures com desconto no imposto de renda de quem ficar com esses papéis. "Isso vai diminuir o custo de captação e cria uma nova alternativa às empresas para financiar seus investimentos", afirmou Bittencourt.
A incidência do imposto de renda sobre os rendimentos auferidos pelos detentores dessas debêntures será de zero para pessoa física e de 15% para pessoa jurídica. Os títulos ou valores mobiliários deverão ser remunerados por taxa de juros pré-fixada vinculada a índice de preço ou a taxa referencial (TR), vedada a pactuação total ou parcial de taxa de juros pós-fixada. As concessionárias deverão submeter os projetos de investimento candidatos a esses benefícios à aprovação da Secretaria de Aviação Civil, que terá 30 dias para atestar a relevância da proposta e a conformidade da documentação.
Esse instrumento visa complementar a linha de financiamento anunciada pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) na semana passada. O apoio do banco pode chegar a 80% do investimento total das futuras concessionárias.
Até o fim do primeiro trimestre, Bittencourt acredita que estará pronto o plano de outorgas dos aeroportos, uma iniciativa inédita. Esse plano determinará quais aeroportos da rede atual ficarão com a Infraero, quais serão administrados localmente - por Estados ou municípios - e quais serão concedidos para a iniciativa privada. Mas há segredo de Estado quanto aos terminais escolhidos para novas concessões.
Bittencourt assegurou que os passageiros, em 2012, verão mais obras sendo tocadas pela Infraero. "Resolvemos uma série de problemas acumulados com licitações e agora estamos conseguindo efetivamente contratar as obras", disse o ministro. Ampliações dos terminais existentes ou novas estruturas começarão a sair do papel, nos próximos meses, em aeroportos como Manaus, Fortaleza, Cuiabá e Goiânia.
19/01/12 - SINA
Governo deve desistir de dívida para remover aviões sucateados

Para se livrar de 155 aviões velhos que viraram sucatas e garantir mais espaço nos aeroportos, o governo precisa abrir mão de cerca de R$ 23 milhões em dívidas de tarifas para permanência em solo e outras taxas que os proprietários têm com a Infraero.
Terá de gastar ainda algo em torno de R$ 2 milhões para desmonte somente das 65 aeronaves de grande porte que pertencem, na maioria, a empresas falidas como Vasp, Varig e Transbrasil.
A dívida total dessas companhias com a Infraero é bem maior. Mas, para avançar com o programa Espaço Livre --coordenado pelo CNJ (Conselho Nacional de Justiça) com o objetivo de liberar os aeroportos--, será preciso que o governo assuma como prejuízo uma parte dos débitos, o que permitirá a remoção dos aviões.
"Esse foi o acordo para a remoção das aeronaves em Congonhas e deverá ser seguido pelos demais. A Infraero recuperará os valores gastos entre três e seis meses, ao explorar comercialmente os espaços ocupados", diz Marlos Augusto Melek, juiz auxiliar da corregedoria do CNJ.
A estatal está passando um pente-fino nos débitos de todas aeronaves para atualizar os valores e checar se há alguma restrição legal para abrir mão do pagamento.
Leia +
10/01/12 - SINA
Anac publica resolução no DOU desta terça-feira que redistribui tarifa aeroportuária
Governo abriu mão de uma parte da tarifa em benefício dos operadores aeroportuários. Repasse à União cai de 50% para 35%.
Resolução da Agência Nacional de Aviação Civil/Anac, publicada na edição desta terça-feira, 10/01, do Diário Oficial da União/DOU, estabelece a recomposição da tarifa paga por empresas aéreas e passageiros pelo uso dos terminais nos aeroportos brasileiros.
A resolução atende ao disposto na Medida Provisória 551, de novembro de 2011, que reduziu o percentual do chamado Adicional Tarifário/Ataero, que incide sobre as tarifas aéreas e é repassado à União, de 50% para 35,9%.
Isso significa que o governo abriu mão de uma parte das tarifas em benefício dos operadores aeroportuários. Com a mudança, o governo pretende fazer com que a concessão de aeroportos fique mais atrativa às empresas e investidores. O valor da tarifa paga pelos passageiros não sofre alteração.
Antes da medida entrar em vigor, dos R$ 20,66 pagos pelos passageiros para embarcar nos aeroportos de primeira categoria, R$ 13,77 ficavam com o operador do aeroporto (Infraero) e os outros R$ 6,89 (50% sobre a tarifa) eram repassados à União.
Com a redistribuição tarifária, o operador ficará com R$ 15,20 e o valor repassado à União cairá para R$ 5,46 (35,9%).
Leia +